Por Fabiano Torres

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Tocar a vida tendo que lidar com níveis elevados de ansiedade não é um negócio legal, nem fácil. Principalmente quando a gente não percebe essa ansiedade como sintoma de um problema maior. Agora, uma vez que a identificamos assim e passamos a tratá-la como doença que é, então passa a ser possível, inclusive, transformá-la em algo positivo, capaz até mesmo de impulsionar nossa produtividade. Só que, como não poderia deixar de ser, o caminho pra chegar nesse ponto é longo, acidentado e pra lá de escorregadio.

Sempre gosto de destacar aqui, que escrevo baseado no que aprendo nas minhas leituras, pesquisas, conversas com profissionais de saúde mental, outros pacientes etc., mas são as minhas próprias experiências com esses distúrbios e a forma como eles me afetam que mais me ajudam a falar do assunto.

A ansiedade desmedida sempre esteve presente na minha vida, só que não a via como um problema de saúde, muito menos de saúde mental. Quando se tornou insuportável e aí fui obrigado a encará-la como ela é de fato, comecei a descobrir coisas importantes sobre a mesma, e duas em especial agora formam a base que me permite não apenas sofrer menos quando atacado, mas também tirar proveito dessas crises, cujas ocorrências têm se tornado cada vez menos frequentes, pra aprender alguma coisa útil pra mim.

O que primeiro aprendi é que, no meu caso, ansiedade e depressão quase sempre ocorrem simultaneamente; uma meio que complementa a outra. A segunda coisa tem a ver com o pânico, que, também no meu caso, não é nada mais do que uma crise de ansiedade que se torna grande demais pra ser controlada. Conseguir reconhecer esses dois aspectos do meu problema foi o ponto de partida pra uma nova fase do meu tratamento, uma fase que me permitiu, por exemplo, passar as últimas quatro semanas inteiras sem sofrer qualquer tipo de ocorrência. É a primeira vez que acontece em nove meses, mas, sendo bem honesto, não sei dizer quando foi que passei tanto tempo assim me sentindo tão bem como agora. É uma sensação que eu desconhecia, pra falar a verdade.

Ser ansioso me criou uma série de contratempos e me causou traumas e frustrações que ainda não estão totalmente superados. A inquietude que me levava a fazer e querer mil coisas ao mesmo tempo sem no entanto conseguir concluir nem conquistar quase nada afetou todas as áreas da minha vida, sem exceção; o acúmulo de desilusões e as várias expectativas não confirmadas fizeram com que me sentisse um fracassado, um impotente, uma farsa. Não fui capaz de terminar quase nenhum dos projetos que iniciei, desperdicei um sem número de oportunidades por não conseguir parar quieto em lugar nenhum, por não ter paciência, nem tranquilidade, nem foco. Meu barco era a vela; bastava o vento mudar um pouquinho sua direção pra ele mudar de curso completamente. Com o tempo isso virou um peso que não podia mais suportar.

Desde que passei a me tratar, venho aprendendo a reconhecer os gatilhos que despertam toda aquela onda de ansiedade. Uma das primeiras coisas que fiz foi me desapegar das redes sociais. Mantive minhas contas ativas, mas pouco apareço por lá. Também saí de todos os grupos de WhatsApp que não se relacionavam com trabalho. Não poupei nem o da família. E o efeito positivo dessas medidas se fez sentir muito rapidamente. Sem essas distrações, sobrou tempo pra me dedicar a coisas de fato importantes, como, por exemplo, a meditação. Adquirir o hábito de meditar foi um divisor de águas nesse processo.

Não existe uma fórmula única pra se lidar com a ansiedade, assim como também não tem uma pra lidar com a depressão, o pânico, a bipolaridade etc.. Cada um deve buscar descobrir, de preferência junto com o(a) médico(a) e o(a) terapeuta, que passos devem ser dados pra se alcançar resultados concretos. É preciso também se abrir pra eventuais novas possibilidades. A meditação só entrou na minha vida porque me permiti conhecê-la melhor, estudá-la e então experimentá-la. Tinha muito preconceito e ter baixado a guarda nesse sentido foi vital pra que conseguisse fazer da prática uma parte fundamental da minha recuperação. É preciso estar disposto a conhecer e aprender, porque só o conhecimento e o aprendizado nos levam à evolução e, nesse caso, a uma vida mais saudável, mais tranquila e muitíssimo mais leve.

Fonte: https://happyhourdadepressao.wordpress.com/